Assembleia aprova criação da Associação Bionorte para fortalecer ciência e inovação na Amazônia

Entidade sem fins lucrativos vai integrar instituições, pesquisadores e empreendedores, ampliar a captação de
recursos e apoiar projetos em áreas como biotecnologia, bioeconomia e uso sustentável da biodiversidade

A criação da Associação Bionorte para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia foi aprovada nesta sexta-feira (25), durante assembleia geral realizada por videoconferência. A reunião formalizou a fundação da entidade, aprovou a versão inicial do estatuto social e elegeu os integrantes do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e da Diretoria Executiva.
De acordo com o estatuto aprovado, a nova entidade foi estruturada como associação civil sem fins lucrativos e Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) privada. Sua atuação será voltada à promoção, ao apoio, à gestão e à execução de iniciativas de ensino, capacitação, formação de recursos humanos, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, inovação e empreendedorismo.
A associação também terá entre suas áreas prioritárias a bioeconomia, a biotecnologia, a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, além do fortalecimento do ecossistema de ciência, tecnologia e inovação da Amazônia.

Construção iniciada há quatro anos

A formalização da Associação Bionorte é resultado de um processo de planejamento e articulação iniciado há quatro anos pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte (PPG-BIONORTE). Nesse período, foram realizadas reuniões com as 49 instituições que atualmente participam do programa e com as nove fundações estaduais de amparo à pesquisa da Amazônia Legal.
O desenho da iniciativa também passou por uma evolução. A proposta começou com a criação de uma incubadora de base biotecnológica, avançou para um modelo de agência de inovação e foi consolidada juridicamente como associação. Essa é a denominação oficial da entidade aprovada na assembleia desta sexta-feira.
Segundo o coordenador-geral do PPG-BIONORTE, professor Sandro Percário, eleito diretor-presidente da associação, a nova estrutura busca ampliar a integração entre universidades, institutos de pesquisa, fundações de amparo, pesquisadores, empreendedores, empresas e outros agentes ligados à inovação na região.
“O principal e primeiro grande papel desta associação é atuar de forma a aliar todos os elementos do ecossistema do empreendedorismo amazônico”, afirmou Percário durante a assembleia.

Captação de recursos e apoio a projetos

Depois de formalizada, a associação poderá concorrer a editais e buscar recursos de fontes públicas e privadas, nacionais e internacionais. A estrutura também deverá apoiar a gestão e a execução de projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, inclusive em parceria com instituições que não dispõem de fundações próprias de apoio.
A proposta é ampliar as condições para que recursos destinados à Amazônia sejam aplicados em projetos desenvolvidos na própria região, aproximando o conhecimento produzido nas instituições de ensino e pesquisa das demandas sociais, ambientais e econômicas amazônicas.
A participação na associação poderá ocorrer de forma institucional ou individual. Instituições fundadoras terão representação no Conselho de Administração, enquanto pesquisadores, empreendedores e outros profissionais alinhados às finalidades da entidade também poderão integrar a associação, conforme os critérios previstos no estatuto.

Próximas etapas

A fundação foi aprovada pela assembleia, sendo que a associação ainda precisa concluir os procedimentos de formalização legal. A ata da reunião, a lista de presença e os termos de posse dos eleitos serão encaminhados para assinatura eletrônica. Em seguida, os documentos serão apresentados ao cartório para registro.
Após a conclusão dessa etapa, será solicitado o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Com o registro e o CNPJ emitidos, a associação poderá iniciar formalmente suas atividades e avançar na celebração de acordos de parceria e termos de cooperação com as instituições participantes.
Também está prevista uma cerimônia oficial de lançamento após a obtenção do CNPJ. A data será definida de acordo com o andamento dos procedimentos de registro.
Ao encerrar a assembleia, Sandro Percário destacou o significado da nova etapa. “Este foi o primeiro passo para a gente poder mudar a realidade da nossa região e, quiçá, do Brasil”, declarou.
A assembleia reuniu representantes de instituições de ensino, pesquisa, fomento e inovação de diferentes estados. Entre as participações registradas estavam a Universidade do Estado do Pará (UEPA), a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), o Museu Paraense Emílio Goeldi, o Instituto Evandro Chagas, o Instituto Federal do Pará (IFPA), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a Fiocruz Amazônia, a Embrapa Rondônia, a Embrapa Pesca e Aquicultura, a Universidade Federal de Rondônia (Unir), a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul) e a Universidade Federal do ABC (UFABC).
Também participaram representantes de institutos federais do Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão, das fundações de amparo à pesquisa de Rondônia (Fapero) e de Roraima (Faperr), além da startup Renova Floresta.
Data: 25/09/2026
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