BIONORTE inicia novo ciclo na UEPA com foco em expansão, interiorização e inovação

Após ampliar o número de instituições, docentes e discentes, programa tem planejamento estratégico voltado à qualidade da formação, ao empreendedorismo e à integração científica entre os países amazônicos

Belém, PA - O Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede BIONORTE inicia uma nova etapa institucional com a instalação de sua Coordenação Geral na Universidade do Estado do Pará (UEPA), em Belém. A mudança ocorre em um período de expansão da Rede e acompanha a construção de um novo planejamento estratégico para consolidar os avanços obtidos entre 2022 e 2026.
O próximo ciclo terá, entre seus principais objetivos, ampliar o ingresso de discentes, aprofundar a interiorização, credenciar mais docentes das instituições participantes e fortalecer a qualidade da formação acadêmica. O planejamento também vai priorizar, de maneira mais sistemática, o empreendedorismo, a internacionalização prioritariamente direcionada aos países amazônicos e a criação de uma agência de inovação vinculada à Rede.
“A chegada da Coordenação Geral à UEPA representa o início de uma nova etapa para o BIONORTE. Temos uma Rede maior, mais presente nos estados e com capacidade crescente de formação. O desafio agora é transformar essa expansão em mais qualidade acadêmica, inovação e impacto para a Amazônia”, afirma o coordenador-geral da BIONORTE, professor Sandro Percário.
A Coordenação Geral passa a funcionar no Campus III da UEPA, no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, em Belém. A nova sede vai apoiar a condução administrativa e acadêmica do programa, que reúne instituições de ensino e pesquisa de diferentes estados brasileiros.
Crescimento da Rede
Entre março de 2022 e junho de 2026, o número de instituições participantes do BIONORTE passou de 27 para 50, uma ampliação de aproximadamente 85%. No mesmo período, o corpo docente cresceu de 211 para 368 pesquisadores e pesquisadoras.
O número de discentes regulares mais que dobrou, passando de 329 para 782. A média anual de ingresso avançou de 68,5 para 183,8 estudantes, crescimento de aproximadamente 168%. Os resultados ampliaram a capacidade da Rede de formar profissionais de alto nível nas áreas de biodiversidade e biotecnologia.
“Os números mostram que existe uma demanda crescente pela formação oferecida pela BIONORTE. Queremos ampliar o ingresso, sendo que é necessário fazer isso de forma planejada, com capacidade de orientação, infraestrutura, produção científica e acompanhamento adequado dos discentes”, destaca Percário.
O credenciamento de mais docentes será um dos instrumentos para sustentar essa expansão. Em junho de 2026, a Rede contava com 62 profissionais pré-credenciados, além dos 368 docentes já vinculados ao programa. A ampliação deverá considerar a qualificação acadêmica, a capacidade de orientação e a contribuição de cada pesquisador para as áreas estratégicas da Rede.
Formação mais próxima dos territórios
A interiorização também apresentou crescimento expressivo. A área de atuação da Rede BIONORTE passou de 24 para 60 municípios. O número de municípios do interior atendidos avançou de 14 para 39, enquanto a presença do programa foi ampliada de nove para 15 estados.
Para a Coordenação Geral, a expansão territorial permite aproximar a formação acadêmica dos locais onde estão concentradas parte significativa da biodiversidade e das demandas por soluções científicas e tecnológicas.
“A interiorização permite formar pesquisadores nos próprios territórios, valorizar as instituições locais e desenvolver pesquisas conectadas aos desafios ambientais, sociais e produtivos de cada região”, ressalta Sandro Percário.
A estratégia para os próximos anos deverá combinar a abertura de novas oportunidades de formação com o fortalecimento das instituições já integradas à Rede. A proposta é ampliar a participação dos polos estaduais e das instituições de ensino e pesquisa na definição, execução e acompanhamento das ações.
Expansão acompanhada de qualidade
Além do crescimento territorial e acadêmico, a gestão implementou uma reforma administrativa que incluiu a revisão do regimento, a criação de nove instruções normativas, a atualização de formulários e a reorganização de processos administrativos.
O portal da Rede BIONORTE foi reformulado para funcionar como um banco permanente de dados e documentos, com sistemas eletrônicos para agendamento de defesas, tramitação de processos, organização de arquivos e geração de relatórios gerenciais. A gestão também instituiu o planejamento estratégico prévio e intensificou a participação do Colegiado Geral nas decisões e nas prestações de contas.
No campo acadêmico, a média anual de publicações por docente passou de três para 4,6 entre 2022 e 2026, crescimento superior a 53%.
“Crescer é importante, mas a expansão só se sustenta quando vem acompanhada de qualidade. Precisamos fortalecer a produção científica, o acompanhamento dos discentes, a integração entre os polos e as condições para que as pesquisas gerem resultados relevantes para a sociedade”, considera Percário.
Ciência, empreendedorismo e inovação
O planejamento estratégico também vai estimular uma visão mais empreendedora na formação dos doutores. A proposta é aproximar a produção científica das demandas da sociedade, do setor público e do setor produtivo, criando condições para que pesquisas possam resultar em tecnologias, produtos, processos e novos empreendimentos.
Entre 2022 e 2026, o número de parcerias com empresas passou de três para 21. O crescimento dessa interação será uma das bases para ampliar as oportunidades de inovação e aplicação do conhecimento produzido na Rede.
Uma das iniciativas previstas é a BIONORTEC Amazônia, concebida como agência de inovação da BIONORTE. A Rede já recebeu a minuta do estatuto social da nova estrutura e trabalha na realização da assembleia de constituição.
“A BIONORTEC Amazônia deverá funcionar como uma ponte entre o conhecimento produzido por nossos pesquisadores, as instituições públicas, as empresas e as necessidades da população. Queremos criar um ambiente que ajude a transformar ciência em soluções, sem perder o compromisso com a conservação da biodiversidade e com o desenvolvimento sustentável”, explica Percário.
Integração entre os países amazônicos
A internacionalização será outro eixo central da nova etapa. O número de convênios formais mantidos pela Rede passou de 60 para 81 entre 2022 e 2026. A quantidade de países envolvidos aumentou de 23 para 32.
A Rede BIONORTE também ampliou a mobilidade acadêmica, chegando a 16 estudantes enviados ao exterior pelo Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior e sete estudantes estrangeiros recebidos. A Rede autorizou ainda o credenciamento de instituições e docentes do exterior e criou um portfólio digital de internacionalização.
Para os próximos anos, a prioridade será fortalecer a cooperação com instituições localizadas nos demais países amazônicos. A estratégia deverá estimular projetos conjuntos, mobilidade de pesquisadores e estudantes, compartilhamento de infraestrutura e produção científica sobre desafios comuns da região.
“A Amazônia ultrapassa as fronteiras nacionais, e muitos dos problemas que estudamos também são compartilhados. A cooperação com os países amazônicos é fundamental para produzir conhecimento integrado sobre biodiversidade, biotecnologia, conservação, bioeconomia e mudanças climáticas”, enfatiza Sandro Percário.
Com a mudança da Coordenação Geral para a UEPA e a elaboração do novo planejamento estratégico, a BIONORTE busca consolidar o crescimento alcançado nos últimos quatro anos. A meta é ampliar o acesso à formação, fortalecer a qualidade do programa e posicionar a Rede como uma referência em ciência, inovação e formação de pesquisadores para a Amazônia.
Data: 12/08/2026
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