Projeto COPAIFERA fortalece monitoramento ambiental e integração da Rede BIONORTE na Amazônia

Aprovada em terceiro lugar em chamada do CNPq, da CAPES e do IRD, iniciativa coordenada pela UFOPA reúne 15 instituições e conecta estruturas de pesquisa instaladas no Brasil e na Guiana Francesa

A Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) coordenará uma nova rede internacional de pesquisa dedicada ao monitoramento ambiental, às mudanças climáticas e à agrosociobiodiversidade amazônica. O projeto COPAIFERA — Centro de Observações e Pesquisas da Agrosociobiodiversidade Integrando Florestas e Ecossistemas Regenerados na Amazônia — foi aprovado na Chamada CNPq/CAPES/IRD nº 27/2025.
A proposta é liderada pelo professor Gabriel Brito Costa, coordenador do Polo Santarém da Rede BIONORTE e do Laboratório de Agrometeorologia com Modelagem da Bioeconomia e Diagnóstico Ambiental (LAMBDA), da UFOPA. O projeto também conta com a participação de docentes vinculados à Rede BIONORTE e pesquisadores de instituições brasileiras, francesas, norte-americanas e alemãs.
Com duração prevista de 36 meses, o COPAIFERA integrará observações ambientais, monitoramento meteorológico, medições de gases de efeito estufa, sensoriamento remoto, inteligência artificial e estudos relacionados à agricultura sustentável, à bioeconomia e aos processos de regeneração dos ecossistemas amazônicos.
“A proposta reúne uma parte de monitoramento ambiental, com equipamentos da rede brasileira e equipamentos equivalentes instalados na Guiana Francesa. Também inclui ações de popularização da ciência, envolvendo a sala de situação meteorológica, além de sítios experimentais instalados em áreas agrícolas”, explica Gabriel Brito Costa.
Integração entre Brasil e Guiana Francesa
Um dos principais diferenciais do projeto será a conexão entre áreas experimentais localizadas no Brasil e na Guiana Francesa. Enquanto a estrutura francesa acompanha áreas preservadas de floresta primária há várias décadas, a rede brasileira realiza medições em florestas secundárias, sistemas agroflorestais, pastagens e áreas agrícolas.
De acordo com Gabriel, a integração permitirá analisar como diferentes formações ambientais respondem às mudanças climáticas e às transformações provocadas pelo uso da terra.
“A parceria com o INRAE, na Guiana Francesa, permitiu unir duas estruturas altamente complementares. De um lado, temos áreas preservadas de floresta primária monitoradas há décadas. Do outro, uma rede brasileira que acompanha florestas secundárias, sistemas agroflorestais, pastagens e áreas agrícolas”, destaca.
Para o pesquisador, essa estrutura cria uma oportunidade diferenciada de comparar os fluxos de carbono, água e energia em diferentes paisagens amazônicas, utilizando metodologias e equipamentos padronizados nos dois territórios.
“Pretendemos consolidar uma das maiores redes de monitoramento ambiental da Amazônia, conectando Brasil e Guiana Francesa. Essas informações serão fundamentais para compreender os impactos das mudanças climáticas, aperfeiçoar estimativas obtidas por satélite e apoiar políticas públicas de conservação e desenvolvimento sustentável”, afirma.
Investimento em pesquisa e formação
O COPAIFERA contará com R$298,8 mil em recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), destinados principalmente às atividades de campo, missões científicas e intercâmbios internacionais.
O Institut de Recherche pour le Développement (IRD) financiará € 76.936 para apoiar as atividades da equipe francesa, incluindo missões ao sítio experimental Guyaflux e ações conjuntas entre pesquisadores dos dois países.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) também destinará R$ 295.372 para bolsas de doutorado-sanduíche e pós-doutorado no exterior. Segundo os dados apresentados pela equipe, o conjunto dos recursos aprovados corresponde a aproximadamente R$ 1,07 milhão.
“Receber a notícia da aprovação em terceiro lugar representa um reconhecimento extremamente importante para a UFOPA e para toda a equipe. Trata-se de uma chamada altamente competitiva, que reúne algumas das melhores propostas voltadas à pesquisa amazônica em cooperação com instituições francesas”, ressalta Gabriel.
Para o coordenador, o resultado demonstra a capacidade das instituições instaladas na região de liderarem pesquisas científicas de alcance internacional.
“É possível produzir ciência de excelência diretamente da Amazônia, utilizando infraestrutura instalada na própria região e formando pesquisadores locais capazes de responder aos grandes desafios ambientais do século XXI. Mais do que um reconhecimento institucional, essa conquista representa um investimento estratégico na ciência produzida na Amazônia para a Amazônia”, declara.
Rede reúne 15 instituições
A rede científica do COPAIFERA é formada por 15 instituições de ensino, pesquisa e inovação. No Brasil, participam UFOPA, Instituto Federal do Pará (IFPA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Universidade Federal do Tocantins (UFT), Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
No exterior, a parceria é liderada pelo French National Research Institute for Agriculture, Food and the Environment (INRAE), por meio da unidade EcoFoG, na Guiana Francesa. A proposta também conta com pesquisadores da University of California, Davis, nos Estados Unidos, e da Hochschule für Angewandte Wissenschaften Hamburg, na Alemanha.
Gabriel explica que a aprovação é resultado de um processo de construção de infraestrutura científica realizado ao longo dos últimos anos.
“Implantamos torres micrometeorológicas em diferentes regiões da Amazônia, adquirimos equipamentos de alta precisão para medir gases de efeito estufa, estruturamos laboratórios especializados e consolidamos uma rede de pesquisadores distribuída em vários estados brasileiros”, relata.
“Ver esse esforço resultar na aprovação de um projeto dessa dimensão mostra que investir continuamente em ciência, mesmo diante das dificuldades, gera resultados concretos”, acrescenta.
Conhecimento voltado à sociedade
Além da produção acadêmica, o projeto prevê ações de popularização da ciência e a transformação dos dados coletados em informações úteis para agricultores, comunidades tradicionais e gestores públicos.
Entre os resultados esperados estão sistemas de monitoramento ambiental, boletins agrometeorológicos, tecnologias voltadas à agricultura sustentável, estudos sobre sequestro de carbono, apoio a projetos de restauração florestal e informações que auxiliem na adaptação às mudanças climáticas.
“O maior desafio é compreender um sistema extremamente complexo. A Amazônia apresenta uma enorme diversidade de ambientes, desde florestas primárias altamente preservadas até áreas agrícolas e ecossistemas em regeneração”, observa o coordenador.
Segundo Gabriel, também será necessário integrar grandes volumes de informações provenientes de medições de campo, imagens de satélite e modelos computacionais.
“Pretendemos transformar esse conhecimento científico em produtos úteis para gestores públicos, produtores rurais e comunidades tradicionais, contribuindo para estratégias de adaptação às mudanças climáticas e para o fortalecimento da bioeconomia”, afirma.
O pesquisador destaca ainda que o projeto deverá ampliar a formação de mestres, doutores e profissionais qualificados para atuar na própria região amazônica.
“Produzir ciência de qualidade na própria Amazônia significa gerar conhecimento onde os fenômenos realmente acontecem. Esperamos que essa conquista inspire novos pesquisadores, fortaleça a confiança da sociedade na ciência brasileira e mostre que universidades públicas, quando recebem apoio adequado, conseguem produzir resultados de excelência com impactos regionais, nacionais e internacionais”, conclui.
Data: 02/08/2026
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