Pesquisa da Rede Bionorte desenvolve cicatrizante para pets a partir de ativos da biodiversidade amazônica

Uma pesquisa desenvolvida no âmbito da Bionorte vem demonstrando como a ciência produzida na Amazônia pode gerar soluções inovadoras associadas à bioeconomia e ao desenvolvimento sustentável. O estudo resultou na criação de um produto cicatrizante voltado para cães e gatos, elaborado a partir de ativos da biodiversidade amazônica e atualmente em fase de certificação e validação para entrada no mercado.

A tecnologia foi apresentada durante o Bio Economy Amazon Summit, realizado em Belém, evento que reúne pesquisadores, startups, instituições e empreendedores ligados à inovação e à bioeconomia na Amazônia.

A iniciativa é liderada pela pesquisadora Adna Maia, fisioterapeuta e doutoranda vinculada à Rede Bionorte. O trabalho surgiu a partir de estudos envolvendo o “sangue de dragão”, substância natural investigada por suas propriedades cicatrizantes e amplamente comercializada por cooperativas de agricultura familiar da Amazônia.

A participação da pesquisa no evento contou com o apoio institucional da Rede Bionorte, representada pelo coordenador-geral, professor Sandro Percário, e pelo vice-coordenador, professor Alberdan Silva, que acompanharam as atividades do summit e reforçaram o compromisso da rede com o fortalecimento da ciência, da inovação e das tecnologias desenvolvidas na Amazônia.

Segundo Adna, a trajetória do produto também reflete o ambiente colaborativo construído dentro da Rede Bionorte. “A Bionorte foi essencial para conectar pesquisadores, laboratórios e ideias, permitindo transformar a pesquisa em uma solução com potencial de mercado”, destacou.

O desenvolvimento do produto ganhou impulso após parceria com o Sebrae, que incentivou a transformação da pesquisa acadêmica em uma startup voltada ao mercado pet: a Cicapet.

O produto utiliza como princípios ativos o “sangue de dragão” e derivados da taboca amazônica, matérias-primas ligadas a cadeias produtivas da agricultura familiar. A proposta também envolve estratégias de manejo sustentável e valorização da floresta em pé.

“Pensando na bioeconomia e na cadeia produtiva, buscamos fortalecer cooperativas e agricultores familiares que já comercializam essas matérias-primas, agregando valor por meio da ciência e da inovação”, explicou Adna.

Os testes realizados em laboratório e em animais demonstraram resultados promissores na aceleração do processo de cicatrização.

A pesquisa conta ainda com a participação dos professores Luis Eduardo Maggi e Marcelo Ramon Nunes, orientadores da doutoranda e também founders da tecnologia desenvolvida, atuando diretamente na estruturação científica, tecnológica e estratégica da startup Cicapet.

Para os pesquisadores, iniciativas como essa reforçam o papel estratégico da Amazônia na geração de tecnologias sustentáveis associadas à biodiversidade.

Além da formulação principal, a pesquisa também gerou subprodutos e já avança em processos de incubação empresarial e pedido de patente, demonstrando o potencial da ciência amazônica para gerar inovação, desenvolvimento regional e impacto social.

A Rede Bionorte reúne instituições da Amazônia Legal voltadas à formação de recursos humanos e à produção científica em biodiversidade e biotecnologia, incentivando pesquisas com impacto ambiental, econômico e social para a região.

Data: 20/05/2026
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