Pesquisadores da Amazônia participam de simpósio internacional sobre mudanças climáticas e decolonialidade na Universidade de Birmingham


Entre os dias 2 e 6 de março de 2026, representantes do Pará participaram do “Decolonising Climate Change Symposium” e do evento “Celebrate Amazonia: Brazil beyond COP 30”, realizados na University of Birmingham (UoB), no Reino Unido.

A delegação amazônica contou com a participação da docente da Rede Bionorte Milene Silveira Ferreira, biomédica e professora da Universidade do Estado do Pará (UEPA), Campus VIII, em Marabá, além de estudantes e pesquisadores vinculados a instituições da região.

As atividades foram promovidas em parceria entre a University of Birmingham, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e a UEPA, com apoio financeiro da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (FAPESPA) e do University of Birmingham Brazil Institute (UBBI).

O encontro reuniu especialistas e estudantes para discutir temas como mudanças climáticas, desmatamento, biodiversidade amazônica e a importância de perspectivas decoloniais na produção do conhecimento científico.

“A imersão reuniu graduandos das principais instituições públicas de ensino e pesquisa da Amazônia e da University of Birmingham”, explica Milene. A iniciativa surgiu após sua participação no programa “The Immerse Amazonia Programme”, realizado em julho de 2025 na Floresta Nacional de Caxiuanã, em Melgaço (PA), promovido pela UoB e pelo Museu Goeldi.

A partir dessa cooperação internacional, pesquisadores das três instituições aprovaram dois projetos no programa Connect Amazônia, da FAPESPA. As iniciativas têm como foco a produção colaborativa de conhecimento entre pesquisadores do Norte e do Sul globais.

Os projetos são intitulados “Descolonizando as Mudanças Climáticas: Produção colaborativa de conhecimento através das diferenças entre o Norte-Sul globais” e “Vozes da Floresta: Caminhos Educacionais para a Biodiversidade Amazônica e a Sabedoria Indígena e Ribeirinha”.

Além da produção de artigos científicos e tecnologias educacionais voltadas à biodiversidade amazônica, os projetos também preveem atividades acadêmicas e eventos internacionais que ampliem o diálogo entre diferentes realidades socioambientais.

Durante o simpósio na University of Birmingham, especialistas participaram de mesas-redondas e debates conduzidos também pelos estudantes. Os encontros abordaram o papel do Brasil no enfrentamento de desafios globais, como as mudanças climáticas e o avanço do desmatamento.

A programação também incluiu atividades culturais brasileiras, como apresentações de samba, capoeira e experiências gastronômicas, dentro da programação do “The Brazilian Carnival”, iniciativa acadêmica da universidade britânica.

“A ações em conjunta possibilitaram estudantes a vivenciar realidades bem distantes do seu cotidiano, além de promoverem uma visão real do impacto das mudanças climáticas no Norte- Sul global”, afirma Milene.

Um dos relatos apresentados durante os eventos foi do estudante de pedagogia Pedro de Araújo, que compartilhou sua vivência como ribeirinho da Floresta Nacional de Caxiuanã e os impactos que sua comunidade já enfrenta diante da emergência climática.

A professora Emanuelle dos Santos, da University of Birmingham, destacou a importância de incluir abordagens decoloniais nos debates científicos sobre clima. Segundo ela, discutir essas perspectivas é fundamental para formar novas gerações de pesquisadores mais conectados com os territórios e os saberes tradicionais.

Além da Rede Bionorte, participaram das atividades acadêmicos vinculados ao Programa CAPES/Cátedra Chico Mendes, ao Programa de Bolsas para Jovens Pesquisadores da Engage Amazonia, ao Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento (CAPES/UFSCar/UoB) e pesquisadores dos institutos Birmingham Institute for Sustainability and Climate Action e Birmingham Institute for Forestry Research (BiFor).
Data: 11/03/2026
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