Corpo Discente - Egressos

Diego Pereira Santos
Título"Aspectos biogeográficos e ecológicos de palmeiras de babaçu"
Data da Defesa12/09/2025
DownloadEm sigilo
Banca

ExaminadorInstituiçãoAprovadoTipo
Bruno de Souza BarretoUFMASimMembro
Celso Henrique Leite Silva JuniorIPAMSimMembro
Fabio Afonso Mazzei Moura de Assis FigueiredoUEMASimPresidente
Flávia Regina Capelloto CostaINPASimMembro
Luara Tourinho de Oliveira PereiraUSPSimMembro
Palavras-ChavesConservação da Terra; Floresta de Palmeiras; Distribuição Espacial; Modelagem de Distribuição de Espécies; Projeção Ecológica.
ResumoA Mata dos Cocais, formação vegetal emblemática do Meio-Norte brasileiro, constitui um mosaico ecológico singular em que as palmeiras representam elementos estruturantes da paisagem, estendendo-se por diversos estados e abrigando notável diversidade sociobiológica. Apesar de sua relevância ecológica e cultural, sua delimitação espacial permanece marcada por incertezas conceituais e cartográficas, um desafio biogeográfico, pois afeta diretamente a forma como se compreende, se planeja e se conserva a paisagem. Entre suas espécies mais representativas, destacam-se as palmeiras do Complexo Babaçu (Attalea spp.), reconhecidas por sua ampla distribuição e dominância ecológica, além de sua importância social, econômica e simbólica para comunidades tradicionais que delas dependem. Contudo, tanto os babaçuais quanto a própria Mata dos Cocais estão sob crescente pressão antrópica decorrente da conversão do uso da terra, da fragmentação de habitats e dos efeitos das mudanças climáticas. Assim, compreender esses sistemas requer integrar abordagens espaciais, ecológicas e sociais capazes de traduzir incertezas em instrumentos aplicáveis à conservação. Neste contexto, o presente trabalho buscou preencher lacunas de conhecimento sobre as incertezas biogeográficas que permeiam a Mata dos Cocais e o Complexo Babaçu. Inicialmente, foi realizada uma revisão sistemática de delimitações espaciais existentes atribuídas a Mata dos Cocais. Dentre os principais resultados, foram descobertas sete fontes que apresentaram divergências significativas quanto à sua extensão territorial e critérios de definição. O delineamento de Nascimento e Lima (2016) abrangeu a maior área, e a sobreposição dos diferentes mapas permitiu identificar uma zona de consenso, a qual foi denominada de “região núcleo”, composta por 14 municípios do estado do Maranhão. Essa síntese cartográfica resultou em uma área potencial de ocorrência que abrange 392 municípios distribuídos em cinco estados brasileiros. Em sequência, empregamos a Modelagem de Distribuição de Espécies (SDMs) para sete espécies do Complexo Babaçu e para o grupo como um todo, utilizando os algoritmos Maximum Entropy (MaxEnt), Random Forest (RF), Boosted Regression Trees (BRT) e Generalized Linear Models (GLM). Dados de ocorrência provenientes do GBIF foram combinados com variáveis bioclimáticas do CHELSA 2.1 sob o cenário atual (2011-2040) e cenários futuros de alta emissão (SSP3-7.0 e SSP5-8.5) para 2041–2070 e 2071–2100. Os resultados indicaram que RF e BRT geraram projeções mais conservadoras, enquanto MaxEnt e GLM apresentaram distribuições mais amplas. A sazonalidade da temperatura foi o principal preditor bioclimático. Attalea maripa, A. phalerata e A. speciosa exibiram faixas de adequabilidade mais amplas, ao passo que A. funifera e A. vitrivir apresentaram distribuições mais restritas. Os cenários futuros projetaram aumento de alta adequabilidade, particularmente nas regiões amazônicas e do Cerrado. Apenas A. funifera e A. vitrivir apresentaram declínios. Ao revelar como as incertezas cartográficas e preditivas limitam o planejamento territorial e a conservação de ecossistemas, este estudo reforça a importância da biogeografia da conservação como campo estratégico para compreender e intervir em paisagens socioecológicas complexas, especialmente em regiões tropicais sujeitas a múltiplas pressões ambientais.
AbstractThe Cocais Forest, an emblematic vegetation formation in the Brazilian Mid-North, constitutes a unique ecological mosaic in which palm trees represent structural elements of the landscape, extending across several states and harbouring remarkable sociobiological diversity. Despite its ecological and cultural relevance, its spatial delimitation remains marked by conceptual and cartographic uncertainties, a biogeographical challenge, as it directly affects how the landscape is understood, planned and conserved. Among its most representative species are the palms of the Babassu Complex (Attalea spp.), recognised for their wide distribution and ecological dominance, as well as their social, economic and symbolic importance to the traditional communities that depend on them. However, both the babassu palm forests and the Cocais Forest itself are under increasing anthropogenic pressure due to land use conversion, habitat fragmentation and the effects of climate change. Thus, understanding these systems requires integrating spatial, ecological and social approaches capable of translating uncertainties into instruments applicable to conservation. In this context, this study sought to fill gaps in knowledge about the biogeographical uncertainties that permeate Cocais Forest and the Babassu Complex. Initially, a systematic review of existing spatial delimitations attributed to the Cocais Forest was carried out. Among the main results, seven sources were discovered that presented significant divergences in terms of their territorial extension and definition criteria. The delineation by Nascimento and Lima (2016) covered the largest area, and the overlap of the different maps allowed us to identify a zone of consensus, which was named the ‘core region,’ comprising 14 municipalities in the State of Maranhão. This cartographic synthesis resulted in a potential area of occurrence covering 392 municipalities distributed across five Brazilian states. Next, we employed Species Distribution Modelling (SDMs) for seven species of the Babassu Complex and for the group overall, using the Maximum Entropy (MaxEnt), Random Forest (RF), Boosted Regression Trees (BRT) and Generalised Linear Models (GLM) algorithms. Occurrence data from GBIF were combined with bioclimatic variables from CHELSA 2.1 under the current scenario (2011-2040) and future high- emission scenarios (SSP3-7.0 and SSP5-8.5) for 2041–2070 and 2071–2100. The results indicated that RF and BRT generated more conservative projections, while MaxEnt and GLM presented broader distributions. Temperature seasonality was the main bioclimatic predictor. Attalea maripa, A. phalerata, and A. speciosa exhibited broader ranges of suitability, while A. funifera and A. vitrivir presented more restricted distributions. Future scenarios projected an increase in high suitability, particularly in the Amazon and Cerrado regions. Only A. funifera and A. vitrivir showed declines. By revealing how cartographic and predictive uncertainties limit territorial planning and ecosystem conservation, this study reinforces the importance of conservation biogeography as a strategic field for understanding and intervening in complex socio-ecological landscapes, especially in tropical regions subject to multiple environmental pressures.
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