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   Brasil, quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018.CPF:Senha:

Amazônia

Conheça o Potêncial da Amazônia

Flor Amazônia
Foto: Dr. Raphael Pimenta

          A Amazônia representa cerca de 30% de todas as florestas tropicais remanescentes do planeta. Compreende diversos ecossistemas distintos, divididos basicamente em áreas alagáveis (florestas de igapó, várzeas, campos) e de terra firme (florestas densas, campinas, campinaranas, savanas, refúgios montanhosos e formações pioneiras). O bioma Amazônia ocupa uma área de 7 milhões de km2, distribuídos por nove países (Brasil, Peru, Equador, Bolívia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Suriname e Colômbia), sendo que 60% de sua área total estão em território brasileiro.

          Segundo pesquisas científicas e organizações governamentais, estima-se que, em território brasileiro, o bioma Amazônia abrigue aproximadamente um terço da biodiversidade mundial dentre espécies de pássaros, peixes, insetos, mamíferos, répteis, anfíbios e da flora. Apenas para exemplificar, o número de espécies de insetos pode ultrapassar os 30 milhões. Possui a mais diversa flora com mais de 50.000 espécies (cerca de 20% do total mundial). O Brasil possui ainda a maior diversidade de primatas do mundo, pelo menos 10% dos anfíbios e mamíferos e 17% das aves. Além disso, apresenta uma diversidade microbiana praticamente incalculável. A quantidade de espécies florestais, frutíferas e de recursos pesqueiros explorada pelos seus cerca de 25 milhões de habitantes é bem elevada e representa boa parte dos produtos exportados para outras regiões do país e do mundo.

          Essa megabiodiversidade representa um imenso potencial genético que vem despertando grande interesse de países situados em outras partes do mundo, ávidos por novos bioprodutos de valor econômico. Além dos produtos florestais e agronômicos conhecidos, como os de espécies madeireiras, frutíferas, medicinais e demais produtos encontrados nas florestas e rios, a região possui um acervo de conhecimentos tradicionais sobre a convivência milenar com os diferentes ecossistemas. No entanto, grande parte das espécies existentes na Amazônia ainda não foi estudada.

          Estudos sobre o clima têm mostrado que a Amazônia possui grande importância para a estabilidade ambiental do Planeta, pelas altas porcentagens de sequestro de carbono presentes na atmosfera. A quantidade de carbono fixada por ano pela vegetação presente nesse bioma é da ordem de um bilhão de toneladas. Essa massa vegetal evapora algo em torno de sete trilhões de toneladas de água anualmente para a atmosfera, e seus rios representam cerca de 20% de toda a água doce do globo terrestre. Esses mananciais apresentam potencial hidrelétrico de fundamental importância para o País, além de conter vastos recursos pesqueiros que são a principal fonte de proteínas para o consumo humano regional.

          A região possui recursos minerais substanciais, como o petróleo e gás natural da região de Urucu, município de Coari, no Amazonas, estanho e níquel, no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas, manganês no Amapá, ouro, em várias regiões, como na Serra dos Carajás no Pará, dentre outros.

          Em relação à sociodiversidade, a Amazônia abriga expressivo conjunto de povos indígenas e populações tradicionais que incluem quilombolas, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco, ribeirinhos, entre outros, que lhe conferem destaque em termos de diversidade cultural. Este patrimônio sociocultural brasileiro ainda mantém suas características originais relativamente bem preservadas no interior da floresta, podendo-se citar, nesse caso, a existência de grupos indígenas sem contato com a sociedade envolvente.

          A Amazônia é também a região do país com maior quantidade de áreas protegidas. Mais de um terço de seu território enquadra-se em um regime de proteção, na forma de unidades de conservação, terras indígenas, terras quilombolas ou áreas militares. O estado de Roraima é o que apresenta maior percentual de áreas protegidas (mais de 80%), enquanto que o estado do Amazonas apresenta o menor percentual de desmatamento (menos de 5%), atribuído ao seu modelo de desenvolvimento econômico pautado no Distrito Industrial de Manaus.

          O imenso patrimônio genético e ambiental da Amazônia é essencial para o equilíbrio climático do nosso planeta; no entanto, vem sendo constantemente ameaçado pela expansão da pecuária extensiva, monocultura da soja, agricultura itinerante com uso de queimadas e minerações clandestinas.

          Nesse sentido, a pressão de madeireiros ilegais, grileiros, pecuaristas, garimpeiros e agricultores tem resultado em largas extensões de terras desmatadas, que hoje ultrapassam 65 milhões de hectares, a maioria das vezes com o uso do fogo. Essas ações têm como conseqüências, interferências no clima do planeta, perda de espécies biológicas únicas em seus milhares de nichos ecológicos e um impacto negativo de repercussão mundial. Os desmatamentos destroem milhares de quilômetros quadrados de floresta a cada ano e além da perda biológica, resultam na erosão do solo, que fica descoberto e sob o intenso efeito da radiação solar e das fortes chuvas tropicais. Com isso, grandes extensões de terras hoje se encontram em diferentes níveis de degradação ambiental. Em adição, as atividades de mineração contaminam rios, a exploração predatória da pesca diminui os estoques de peixes e a urbanização acelerada e desordenada gera sérios problemas de saneamento, sobretudo nos setores mais pobres das cidades.

          Em todos esses processos predatórios, predomina a falta de conhecimento da biodiversidade amazônica. À medida que o conhecimento se acumula, aumenta-se a chance de conservação das espécies regionais, que passam a ser cultivadas e enriquecem e intensificam o uso dos recursos genéticos amazônicos. O cupuaçu [Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) K. Schum.], a pupunha (Bactris gasipaes Kunth), a seringueira [Hevea brasiliensis (Willd. ex A. Juss.) Müll. Arg.], o açaí (Euterpe oleracea Mart.) e o guaraná (Paullinia cupana Kunth) são exemplos típicos de espécies que possuem mercado e por isso não correm perigo de extinção, sendo cultivadas em diversas partes da Amazônia, do país e algumas vezes, em outras regiões do planeta. Outras espécies, como o camu-camu [Myrciaria dubia (Kunth) McVaugh], a sapota [Manilkara zapota (L.) P. Royen], o araçá-boi (Eugenia stipitata McVaugh), o araçá-pera (Psidium acutangulum DC.) se enquadram em um grupo de espécies emergentes, pouco conhecidas, mas que despertam o interesse pela exploração comercial. Por outro lado, algumas espécies madeireiras, como o mogno (Swietenia macrophylla King) e a acariquara (Minquartia guianensis Aubl.), apesar de conhecidas, correm risco de extinção em algumas áreas da Amazônia, pela falta de interesse nos seus plantios em função do retorno financeiro ser de longo prazo. Outro exemplo típico dessa situação é a palmeira patauá (Oenocarpus bataua Mart.) que apesar de possuir um óleo muito semelhante ao de oliva, largas extensões de populações naturais dessa espécie são destruídas todos os anos pela falta de conhecimento de suas potencialidades.

          Por fim, as espécies medicinais amazônicas, utilizadas e comercializadas tradicionalmente, merecem atenção especial, por serem, em sua maioria, oriundas do extrativismo, prática por vezes predatória. Ademais, tais espécies, a exemplo de copaíba (Copaifera spp.), andiroba (Carapa guianensis Aubl.) e unha-de-gato (Uncaria spp.) desempenham papel fundamental nos cuidados de saúde das populações locais, além de representarem potencial econômico para a região. Com a criação da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Brasil, 2006), cujas premissas são o respeito aos princípios de segurança e eficácia na saúde pública, a conciliação de desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental, e o respeito às diversidades e particularidades regionais e ambientais, as pesquisas cientificas - em todas as áreas do conhecimento - sobre as espécies medicinais amazônicas deveriam ser favorecidas, encorajadas e ampliadas na região.

          Um dos fatores que contribui para o atraso científico e tecnológico da Amazônia é o reduzido número de doutores atuantes nessa região o que motivou a criação da Rede BIONORTE cuja missão principal é, além de atuar na formação de doutores, integrar competências para o desenvolvimento de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação com foco na biodiversidade e biotecnologia, visando gerar conhecimentos, processos e produtos que contribuam para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.        

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